543193-0100
62 Anos Com Você

Informativos

06/07/2020

Produtores apostam no trigo para atenuar perda da estiagem

Clique para ver mais

Área cultivada do cereal no Rio Grande do Sul tem expansão de 20,3% em 2020, em relação a 2019, segundo a Emater-RS

Cultura marcada por altos e baixos nas últimas safras, o trigo voltou a despertar o interesse de muitos agricultores gaúchos neste inverno. A perspectiva de bom preço de comercialização do produto levou os produtores a apostarem no cereal como uma alternativa para atenuar prejuízos deixados pela colheita de grãos no verão, castigada pela estiagem.

Segundo a Emater-RS, a área de trigais chegará a 915,7 mil hectares no Estado em 2020, expansão de 20,3% frente a 2019 e o maior patamar desde 2014. Até o momento, 87% da lavoura já foi plantada.

— O produtor está buscando uma alternativa para equacionar a dificuldade econômica gerada pela estiagem, mas também influenciam o aumento da área, o atual patamar de preços e o avanço no número de agricultores com sistema de rotação de culturas onde o trigo faz parte — explica Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater-RS.

Neste ano, as lavouras de trigo estão maiores em todos os cantos do Estado. A Campanha é uma das regiões onde o cereal teve mais impulso, com cultivo de 79,1 mil hectares, alta de 65,6% frente a 2019. O maior crescimento percentual, de 120%, é verificado na regional da Emater de Porto Alegre, que saiu de 500 para 1,1 mil hectares.  

Com colheita prevista a partir de outubro, a produção em 2020 deve chegar a 2,19 milhões de toneladas, o que a torna o carro-chefe da safra de inverno no Rio Grande do Sul. O volume representa queda de 4,4% em relação ao ano passado, por causa da menor produtividade estimada por hectare. No entanto, os números devem ser revistos durante o desenvolvimento da cultura nos próximos meses.  

Esbanjando otimismo, Luiz Antônio Mattioni é um dos tantos agricultores que decidiram reforçar a aposta no trigo no inverno. No verão, o tempo seco fez com que ele perdesse em torno de 40% da safra de soja em sua propriedade em São Luiz Gonzaga, nas Missões.

Como alternativa para recuperar parte do prejuízo gerado pela estiagem, optou por expandir de 150 para 200 hectares o espaço dos trigais neste ano. Ele já finalizou o plantio e agora começou os tratamentos na lavoura.  

— É um ano muito promissor para o trigo. Se eu tivesse terra disponível, plantaria mais até — afirma Mattioni.

Vantagem

A área plantada no Estado poderia ter sido ainda maior em 2020, não fosse a dificuldade para obtenção de sementes. Todo o estoque disponível no Rio Grande do Sul foi comprado.

O economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS), Tarcísio Minetto, enfatiza que a relação entre custo e benefício verificada neste ano estimulou o aquecimento do mercado. No início do plantio, estudo da Fecoagro-RS apontava que o número mínimo de sacas colhidas para cobrir o custo da lavoura chegava a 65,65, queda de 14,4% em relação às 76,70 sacas necessárias em 2019.  

— Essa relação de troca entre gastos e receitas ficou muito mais favorável ao produtor, em razão da valorização da saca do trigo. É a melhor relação dos últimos 20 anos — salienta Minetto.

Os preços do cereal vêm se mantendo estáveis nos últimos meses, ajudados pela valorização do dólar neste ano. Conforme a Emater-RS, em 2 de julho, o preço médio pago ao produtor pela saca no Rio Grande do Sul era de R$ 53,86, valor 28,9% superior ao registrado na mesma semana em 2019.  

— Os preços estão muito acima do que se imaginava até algum tempo atrás e isso gera um cenário de oportunidade muito bom para o produtor. Muita gente que não estava plantando trigo decidiu voltar a plantar — constata Hamilton Jardim, coordenador da comissão de trigo da Federação da Agricultura (Farsul).  

Para o dirigente, uma safra cheia em 2020 poderá contribuir para que a área de trigo siga crescendo nos próximos anos e se estabilize a longo prazo.

Expectativa

Em 2019, o PH de parte da safra gaúcha ficou abaixo do nível mínimo por causa do excesso de chuva em outubro e, com isso, não pôde ser aproveitada para panificação. Com isso, muitos produtores destinaram o cereal para ração animal. A expectativa da indústria é de que o problema não volte a ocorrer em 2020.

 

Fonte: GauchaZh – Disponivel em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/campo-e-lavoura/noticia/2020/07/produtores-apostam-no-trigo-para-atenuar-perda-da-estiagem-ckc9v293e004m013gum9kazp5.html

Logo Grandespe Sementes